domingo, 30 de junho de 2013

Sem título

Fui descobrir este texto que escrevi no já distante ano de 1985, tinha eu a provecta idade de 15 anos. Espero que gostem.


“Chego à praia.
Sento-me à beira-mar.
É tarde, o sol está a pôr-se.
Sinto as ondas a banharem-me os pés. Enterro-os na areia.
O mar está calmo, silencioso… Só murmura qualquer coisa…
Qualquer coisa que mais parece uma canção de embalar…
Mas uma canção de embalar… Para quem?...
Ouço com mais atenção e sorri-o. Claro! Como não pensei nisso antes?...
É uma canção de embalar para o Sol!...
Para o Sol…
Está cansado… Vai deitar-se…
O seu poiso?....
O mar!... O mar, que lhe canta uma canção de embalar…
Até as gaivotas, aves ruidosas, estão silenciosas…
Pelo Sol…
Pelo Sol, que está cansado…
Pelo Sol, que se está a pôr…
Ali fico, sentada, a sorrir, a observar aquela prova de amor e carinho…
Fico silenciosa, enfeitiçada por toda aquela magia que rodeia o descanso do Sol…
Lentamente, vai-se afundando no seu poiso…
Lenta, muito lentamente…
- Mana!
Assusto-me! Quebra-se o encanto…
Olho para trás, para ver quem grita.
É o meu irmão, que me chama.
Olho para o Sol e para o mar, mas já nada tem a mesma beleza…
Levanto-me e vou…
Olho uma última vez para o pôr-do-sol e sorri-o.
Já não se vê o Sol. Apenas uns reflexos alaranjados na sua moradia…
Viro-me e lentamente, vou…”

                                                                       Fátima d’Oliveira (1985)




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