domingo, 4 de março de 2012

07 de Junho de 2009


Hoje vamos fazer as coisas de maneira um pouco diferente…
Ao vasculhar no meio das minhas coisas, deparei-me com um texto, também da minha autoria, um tudo-nada diferente dos meus trabalhos já aqui partilhados: trata-se de um artigo de opinião.


07 de Junho de 2009

São 18h01 de Domingo, 07/06/2009. Dia de eleições para o Parlamento Europeu. E eu escolhi não votar.
É verdade, abstive-me.
Não vou apresentar quaisquer desculpas esfarrapadas para a minha abstenção. Apenas escolhi fazê-lo.
Muitas são as vozes que consideram este meu simples gesto, uma verdadeira traição ao espírito de Abril, às conquistas de Abril.
Permitam-me discordar. Veementemente.
No meu muito pessoal e, quiçá, discutível ponto de vista, considero a abstenção também uma conquista de Abril. Foi a revolução de Abril que me deu a mim esta voz. E eu fi-la soar, gritar bem alto.
Peço-vos, não me critiquem por não querer votar. Antes me perguntem porquê: porque é que eu não quis votar?
A resposta é simples e, perdoem-me a presunção, creio que comum à grande maioria dos portugueses: eu não confio nos políticos que temos. Com certeza que também os há bons e competentes, em TODOS os quadrantes políticos, mas eu vejo e leio sobre tanta porcaria e corrupção, novamente em TODOS os quadrantes políticos, que uma pessoa fica deveras desencorajada…
Eu sei, eu sei: se eu não voto, que moral me assiste para criticar os políticos eleitos?...
E também, se é verdade que cada um só tem o que merece, muito provavelmente nós só temos os políticos que merecemos…
Também me lembrei de uma outra coisa: se não estou enganada, os referendos só são vinculativos com uma aderência às urnas superior a 50%, não é assim? Pois bem, seria assim tão impraticável aplicar o mesmo princípio ao acto eleitoral? Só com uma taxa de abstenção inferior a 50%, o resultado das eleições seria válido. Caso contrário, as eleições teriam que ser repetidas. No final de semana imediatamente a seguir. Os custos que tal importaria seriam suportados, na totalidade, pelos partidos políticos, à proporção da representação parlamentar de cada partido, à data. E também, de cada vez que tivesse que haver uma repetição, isso representaria um corte (sei lá… 10, 20%...) no vencimento dos políticos, como penalização pela não mobilização do povo português.
Assim, matavam-se dois coelhos com uma cajadada só, por assim dizer: obrigavam-se os políticos a trabalhar e a fazerem por merecer o ordenado e também se elevava o interesse da população portuguesa pelo acto eleitoral, calando assim todos aqueles que defendem a obrigatoriedade de votar. Isso sim, um verdadeiro atentado às conquistas de Abril.

Podem considerar tudo isto extremamente utópico, do reino da fantasia…
Talvez… Talvez sim, talvez não…
Como é mesmo aquela frase?... Ah, sim: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Então, peço-vos, deixem-me sonhar…


Fátima d’Oliveira





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