domingo, 11 de março de 2012

Um desejo secreto


Subitamente, o olhar distraído de Leonor pousou no calendário pendurado na parede à sua frente.
Ela suspirou. Fundo, muito fundo, do fundo de si, da sua alma.
O dia, aquele dia, estava quase a chegar: faltavam duas semanas.
Leonor sempre tinha gostado daquele dia e sempre tinha alimentado muitas expectativas.
Mas já não.

O seu aniversário.
Era disso que se tratava.
Leonor tinha um desejo antigo, muito secreto, que trazia consigo. Sempre que o seu aniversário se aproximava, Leonor enchia-se de esperanças e expectativas: seria desta? Seria este o ano em que veria o seu desejo realizado?
Mas não.

Uma festa-surpresa.
Era tudo o que Leonor mais queria.
Ano após ano, desilusão após desilusão, Leonor tinha sempre o cuidado de plantar várias pistas, quer entre a família, quer entre os amigos.
Mas as pistas nunca vingavam.
Leonor já questionava se o problema se encontrava onde plantava as pistas, se nela.

Nela, o problema devia estar nela.

Devia ser extremamente inábil a plantar pistas.

Por isso, agora, não faria nada.
O dia chegaria e passaria.
E Leonor ficaria um ano mais velha.
Só e apenas.

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