sexta-feira, 2 de março de 2012

Janelas, varandas e varandins


        Mercês viu-o e algo nele lhe foi vagamente familiar. Mas o quê?...
        Seria a boca desenhada, o nariz pequeno, os cabelos muito curtos castanho escuros, o corpo a lembrar as esculturas das divindades gregas?...
        Ou seriam os olhos, grandes, grandes, do tamanho do mundo dela, para Mercês se perder?...
        Sim, sem sombra de dúvida, eram os olhos.
        E Mercês lembrou-se dela, daquela criança: Leonardo era o seu nome e Mercês conhecera-o na casa de uma colega da escola, Patrícia. Na altura Mercês deveria andar pelos seus 16 anos, enquanto que ele, Leonardo, não teria mais que 6. Conhecera-o porque Leonardo tinha ido visitar a prima, Patrícia, naquela mesma tarde que escolheram para fazer o trabalho de grupo para a disciplina de História. Leonardo tinha os olhos mais bonitos que Mercês já tinha visto – grandes, cinzentos com alguns traços de verde, levemente amendoados, descaídos e de uma doçura para lá de qualquer coisa – e logo ali lhe foi vaticinado que havia de ser um quebra–corações, que com aqueles olhos as meninas lhe iriam cair aos pés como tordos, ele que esperasse para ver. Mercês lembrava-se de ter pensado que se os olhos eram a janela para a alma, então Leonardo devia valer a pena conhecer, pois aquele olhar de seda e veludo deixava adivinhar uma paisagem feita de mistério.
        Foi a primeira vez que Mercês viu Leonardo. E a última.
        Mas aquele olhar ficou-lhe gravado, colado à pele.
        E agora ali estava aquele rapaz, novamente aquele olhar, mais uma vez aquelas janelas abertas…
        Tanto Mercês olhou para ele, que ele lhe retribuiu o olhar.
        “Desculpe, mas nós conhecemo-nos?” ele perguntou a Mercês.
        “Eu é que peço desculpa” Mercês começou “Não era minha pretensão ser indelicada. Apenas me lembrou alguém que eu conheci…”
        “Ah sim?… E pode-se saber o nome do felizardo?”
        Hum… Bajulador…
        “Pode” ela disse, entrando no jogo “Salvador”
        “Salvador?!” ele exclamou “Não pode ser!”
        “Hã?”
        “Mas isto é uma grande coincidência”
        “Não estou a perceber…”
        “É que eu sou ele”
        “Como?…” Mercês disse “Desculpe, mas continuo sem perceber”
        “O Salvador…” ele fez uma pausa “sou eu”
        “Salvador?!” Mercês exclamou, abrindo muito os olhos, fingindo espanto.
        “Sim, Salvador” ele confirmou “E tu?”
        “Eu?”
        “Pois, tu. Como é que te chamas?”
        “Não te lembras?” ela disse, tentando ganhar tempo.
        Ele olhou directamente para a cara dela, semicerrou os olhos e pareceu fingir tentar lembrar-se. Finalmente, abanou a cabeça “Não, desculpa, mas não” e continuou “Quer dizer, a tua cara não me é estranha, mas não me consigo lembrar do nome”
        Um momento de silêncio. Para fazer suspense, ela pensou.
        “Adriana” ela finalmente falou, dizendo o primeiro nome que lhe veio à cabeça.
        “Adriana?…” ele perguntou e, perante a confirmação muda dela, ele continuou baixinho “Adriana, Adriana, Adriana…”. De repente ele parou, olhou para ela e falou “Ouve lá, tu és aquela Adriana que andava sempre com uma flor no cabelo, uma açucena branca, se não estou em erro?”
        Bolas, que ele era bom: tinha ido ao pormenor de identificar uma flor – e atribuir-lhe uma cor, ainda por cima…
        Sem pensar duas vezes, ela confirmou “Eu mesma”
        Sorriram, ela e ele.
        “O que é que fazes por aqui?” ele finalmente disse, rasgando o véu de silêncio que caía.
        “Oh” ela exclamou “Férias”
        “Ah, sim?” ele pareceu interessado “E quando é que te vais embora?”
        “Amanhã”
        “Já?!” das duas, uma: ou ele estava realmente desapontado, ou então era um belíssimo actor.
        “Sim” ela confirmou.
        “Pena…”
        “Porquê?” ela quis saber.
        “Porque podíamos por a conversa em dia” ele explicou “Tu sabes… O que é que tens feito, por onde tens andado e tudo isso…”
        “Ah, e só se falava de mim?” ela fingiu “De ti, nicles batatóides…”
        “Claro que também se podia falar de mim” ele disse “Mas eu estou muito mais interessado na tua vida” ao dizer estas últimas palavras, ele olhou fixamente para ela, para bem dentro dos olhos dela.
        Suportando aquele olhar fixo e ardente, Mercês não pode deixar de sorrir: o rapaz era mesmo sedutor.
        Ainda suportando aquele olhar que lhe queimava a pele, ela ouviu-se dizer “Ainda temos esta noite”
        Ao ouvir estas palavras, o sorriso dele abriu-se.
        “Mas isso é óptimo” e continuou “Podemos jantar juntos”
        E porque não, Mercês pensou.
        “Está bem” ela assentiu.
        “Então está combinado” ele disse.
        “E aonde vamos?” ela quis saber.
        Ele fez um ar misterioso “É uma surpresa” e ainda “Só tens que estar aqui, linda e maravilhosa, às sete da tarde”
        E foi-se embora sorridente, ainda com aquela expressão de mistério total e absoluto.
        Sozinha, olhando o mar que se estendia à sua frente até onde a vista alcançasse, Mercês riu com gosto: pelo menos, já tinha alguma coisa para fazer naquela noite, a sua última noite naquele lugar.
        Caminhou lentamente até à pensão onde estava hospedada, contando as horas, minutos, segundos, já que não tinha mais nada que fazer.
        No seu quarto e depois de um longo e relaxante banho de espuma, envolta numa toalha cor verde–água, a pingar o chão, Mercês tenta escolher o que levar  vestido: um top de laçada com cavas americanas, a fim de mostrar os bonitos ombros, de cor preta, a cor dos seus olhos, umas calças douradas (enfim, uma ocasião para estrear as ditas cujas, que tinham sido compradas uma vez nuns saldos: uma pechincha a que não pode, ou não quis, resistir – se bem que não abundassem, na sua vida, as ocasiões para usar tal peça de vestuário), quase, quase da cor dos seus cabelos curtos e levemente ondulados: louro escuro ou castanho claro, conforme a cabeça, conforme a sentença – ela preferia louro escuro, pois sempre quis ser loura, e foi com grande desgosto que viu o seu cabelo louro louro escurecer com a idade. Umas pulseiras em ambos os pulsos, umas sandálias pretas de verniz com salto alto e uma clutch preta, completavam o conjunto.
        Mercês deu ainda um jeito ao cabelo, com a ajuda de espuma e das pontas dos dedos, espalhou máscara pelas pestanas, colocou um pouco de baton quase transparente e, para finalizar, mergulhou, por assim dizer, numa nuvem de perfume, Cerrutti Image pour femme, por ela vaporizada à sua frente.
        Pronto, agora sim, estava pronta para o que desse e viesse.
        Olhou para o espelho e não se viu: a imagem reflectida não era a Mercês, mas sim a Adriana.
        Com um suspiro, Mercês (ou Adriana) pôs pernas ao caminho, pois já não faltava muito para a hora marcada.
        Quando chegou ao sítio combinado, viu que tinha sido a primeira a chegar: dele, do Salvador (ou como ele se dizia chamar), nem sinal.
        Mau!, foi o seu primeiro pensamento, mas depois de consultar o relógio, viu que ainda não eram sete horas.
        Para passar o pouco tempo que faltava para a hora marcada, sentou-se num banco de frente para o mar e puxou para os olhos os óculos de sol pretos que trazia enfiados na cabeça, à laia de bandelete.
        Enquanto observava o pôr-do-sol, vários pensamentos atravessaram a sua mente: ele não iria aparecer, ia deixá-la ali plantada, ela ia ter que jantar sozinha e ele iria rir-se a bom rir às suas custas.
        Mas mesmo que ele não aparecesse e que ela tivesse que jantar sozinha, qual era o problema?… Nenhum!…
        “Olá”, uma mão no seu ombro.
        Com um salto, Mercês/Adriana voltou-se: era ele.
        “Desculpa se te assustei”
        “Não tem importância” ela disse, com um sorriso.
        Ele estava muito atraente: um fato preto levemente brilhante, calças e casaco e, por baixo deste último, totalmente aberto, uma camisa impecavelmente branca, aberta nos dois primeiros botões. No pulso esquerdo um relógio todo dourado, presumivelmente ouro. Como calçado uns sapatos pretos em pele, de design italiano. Para finalizar, um aroma inconfundível: Roma, pour homme, de Laura Biagiotti: o perfume masculino favorito dela.
        “Estás muito bonita”
        “Obrigado” ela falou, meio envergonhada “Mas o mesmo digo eu: olha bem para ti”
        “Gostas?” ele perguntou, dando uma volta rápida sobre si mesmo.
        “Muito”
        “Ainda bem, pois foi só a pensar em ti”
        Ela corou.
        “Bom, vamos jantar?” ele perguntou.
        “Claro” ela concordou “E aonde vamos?”
        “Surpresa” ele exclamou, com um ar enigmático “Anda comigo” e estendeu-lhe o braço esquerdo.
        Sorrindo, ela tomou o braço que lhe era estendido.
        Caminharam por ruas estreitas e vielas de tal maneira, que Mercês/Adriana duvidava seriamente que conseguisse encontrar o caminho de volta.
        Finalmente, e depois de muitos virar à esquerda e virar à direita, subir e descer pequenas escadarias compostas por degraus antigos e estreitos, finalmente pararam a uma porta com um cartaz onde se podia ler “El Dorado”.
        “É aqui?” ela perguntou, virando-se para ele.
        “É” ele respondeu com ar satisfeito. Depois, virando-se para ela, acrescentou “Não te deixes enganar pelo exterior despojado e simples. É que aqui fazem da melhor açorda de marisco que já provei. Gostas de açorda de marisco, não gostas?”
        “Não sei” ela disse com sinceridade “Nunca provei”
        “O quê?!” ele surpreendeu-se “Nunca provaste?…” e perante a confirmação muda dela, ainda acrescentou “Não sabes o que tens andado a perder… Mas isso já vai acabar”
        “Mas não achas isso muito forte, muito pesado, para jantar?”
        “Isso?…”
        “Uma açorda…”
        “Não digas disparates” ele exclamou “Aliás, nunca ouviste aquela frase que diz, perdoar o mal que faz pelo bem que sabe?”, e abriu a porta para ela entrar primeiro, entrando logo a seguir.
        A decoração do restaurante era muito simples, rústica até e, ao contrário do que o nome poderia sugerir, não se viam dourados.
        Foram para uma mesa algo afastada da porta, coberta por uma toalha de uma brancura imaculada.
        Quando o empregado se aproximou para lhes trazer as entradas, compostas por pão caseiro, pão de milho, presunto, chouriço, aqueles pacotinhos de manteiga, e queijinhos já cortados às fatias, ele, Salvador (seria?…), apressou-se a pedir açorda de marisco e vinho branco da casa para acompanhar – tudo isto sem sequer consultar a ementa. Ele devia ser um comensal habitual daquele sítio…
        “E para a senhora?” o empregado perguntou, depois de tomar nota do pedido dele.
        Perante esta pergunta, ele olhou interrogativamente para ela e perante o seu silêncio, disse “Pode ser o mesmo para a senhora”
        “Muito bem”, e o empregado afastou-se.
        “Então” ele começou, servindo-se de uma fatia de pão de milho “que é que achas, até agora?”
        “Até agora…” ela disse, encolhendo os ombros, olhando em volta, e acenando com a cabeça “É muito agradável”
        Ele sorriu satisfeito “E espera só até provares a comida”
        “Estou ansiosa”
        “Como?” ele olhou para ela desconfiado.
        “Então, se tu dizes que a tal açorda de marisco é assim tão boa, sempre quero ver isso” ela explicou.
        “E vais. Podes acreditar em mim”
        “Está bem” ela riu-se “Eu acredito”
        Depois de um momento de silêncio, ele alegrou-se “E não é tarde nem é cedo, pois aí vem o nosso jantar”
        “Já?” ela admirou-se.
        “Eles aqui são rápidos” foi a explicação dele.
        Depois de um brinde que ele insistiu em fazer, “À nossa”, começaram a comer e justiça seja feita, ela realmente adorou a açorda de marisco: estava divinal.
        “Salvador” ela começou “tu tinhas toda a razão. Isto é delicioso”
        “Eu não te dizia?” ele falou, visivelmente satisfeito.
        Após terem limpo os pratos e depois da sobremesa (doce da casa para ambos), do café e do digestivo, ele perguntou “Queres ir dar uma volta?”
        “Aonde?” ela quis saber.
        “Sei lá, por aí… olha, vamos ver o mar”
        “Pode ser”
        Chamaram o empregado e no fim de uma pequena briga devido ao facto de ele não a querer deixar pagar a sua parte, “Não senhor, não senhor, eu é que convidei, eu é que pago”, pagaram, ou melhor, ele pagou a conta e saíram.
        Estava uma bonita noite, estrelada, com um luar que tudo banhava.
        Já à beira do mar, onde chegaram num instantinho – era espantoso como, invariavelmente, se demorava tanto tempo a chegar a um determinado lugar, no caso, o restaurante e, na volta, levava-se sempre menos de metade do tempo, ou pelo menos assim parecia –, não se via muita gente: apenas alguns casais, um aqui, outro ali, e por aí fora.
        Ficaram lado a lado, a olhar o mar, calados: ela não sabia o que dizer e ele, oh, ela sabia lá porque é que ele estava calado: só Deus podia saber o que estava a passar naquela cabeçinha.
        “Tens frio?” ele perguntou.
        “Eu?”
        “Sim, tu”
        “Porque é que dizes isso?”
        “Porque me pareceu ver-te estremecer”
        Ah, então era por isso.
        “Frio, frio” começou ela “não tenho. Mas é verdade que está a arrefecer um bocadinho”
        “Isso resolve-se já”
        Com estas palavras, ele despiu o casaco e colocou-o por cima dos ombros nus dela.
        “Obrigado” ela agradeceu com um sorriso “Mas, e tu?”
        “Deixa estar” ele disse “Não te preocupes comigo”
        Outra vez o silêncio.
        “Adriana” ele chamou.
        Ela não ouviu.
        “Adriana” ele chamou outra vez.
        Ela, mais uma vez, não ouviu.
        “Adriana” ele chamou novamente, desta vez acompanhado com um leve toque no ombro direito dela.
        Hã? O quê? Quantos?… Adriana?… Mas quem era essa?… Adriana?!… Adriana… Adriana!… Caraças, essa era ela, pois claro, Adriana.
        “Diz”
        “Então” ele riu-se “estavas distraída?”
        “Desculpa lá” ao dizer estas palavras, colocou-lhe a mão direita no braço esquerdo.
        “Não faz mal”
        “É que estava longe, tão longe…”
        “No mundo da lua?” ele perguntou.
        “Se calhar, quem sabe…” ela disse, com um leve encolher de ombros. E a seguir, acrescentou “O que é que me querias dizer?”
        “Eu?…”
        “Sim, tu. Não foi para isso que me chamas-te?”
        “Isso?…”
        “Para me dizer alguma coisa. Ou já te esqueces-te?”
        Ele pareceu ficar envergonhado “Não, não me esqueci”
        “Então?…” ela ficou expectante.
        Após um suspiro fundo, ele recomeçou “Adriana”, e parou.
        “Fala” ela encorajou-o.
        “Adriana” ele disse outra vez e, depois de uma pausa, falou muito depressa “queres casar comigo?”
        Ela ficou muda de espanto: será que ele tinha acabado de dizer o que ela julgava ter ouvido?… Não, não: não podia ser. Eles tinham acabado de se conhecer.
        Mas ele continuou “Não sei se alguma vez chegaste a saber, mas eu sempre tive uma grande paixão por ti, desde aqueles tempos de escola, em que andavas sempre de flor no cabelo…”
        O quê?!?!?!…
        “… sempre uma açucena branca. Eras a Adriana da açucena, lembras-te?…”
        Meu Deus, ela não podia acreditar: a Adriana, aquela Adriana, a sua Adriana realmente existia.
        “… E a verdade é que ao ver-te hoje, aqui, apercebi-me que ainda estou completamente apaixonado por ti…”
        Não, não era verdade: não podia. Ela recusava-se a acreditar: ele só podia estar a brincar com ela, só podia.
        “… Até já comprei um anel de noivado. Gostas?…”
        Mas não, ele realmente estava a falar a sério.
        “… Então, que dizes?”
        “Que digo?…” ela falou, com voz trémula.
        “Sim” ele insistiu “Queres casar comigo?” e estendeu-lhe o anel, um solitário com uma pedra brilhante.
        Ela olhou para ele e para o anel, alternadamente.
        “Então?…”
        Depois de respirar fundo, ela disse “Salvador”
        “Sim?…” ele perguntou, com a esperança estampada no rosto.
        “Salvador” ela recomeçou “Eu não sou quem tu julgas”
        “Hã?…” ele estava confuso.
        “Eu não sou quem tu pensas que sou” e continuou “Eu nunca te tinha visto antes desta tarde, não me chamo Adriana, e nunca pus açucenas no cabelo – aliás, para ser sincera, eu nem morro de amores por açucenas: prefiro túlipas”
        “Como?…”
        “É isso mesmo que ouvistes: eu não sou a Adriana porque quem pensas estar apaixonado”
 Oh, Deus! Aquilo parecia uma cena tirada de um daqueles dramalhões de faca e alguidar com os quais Mercês tanta gozava.
        Ele olhou para ela “Não és?…”, e ela pode sentir o desespero e desalento dentro dele.
        “Não, não sou” e continuou, enquanto lhe devolvia o casaco “Eu sei que isto não tem desculpa, mas a verdade é que nunca foi minha intenção brincar com os teus sentimentos. Espero que um dia me possas perdoar. Adeus”
        Enquanto se afastava dele com passos muito rápidos, quase a correr, tentava desesperadamente pôr os seus pensamentos em ordem: bolas, não era para ser assim: tudo o que ela tinha pretendido, tinha sido um pouco de diversão. Ao invés…
        “Olha”
        Era ele quem chamava.
        Ela voltou-se “Sim?…”
        “Como te chamas?” ele perguntou com um sorriso, e o seu sorriso era triste.
        “Para que é que queres saber?”
        “Só por curiosidade…”
        Ela pensou e por fim disse “Mercês”
        “A sério?”
        “A sério”
        “Está bem…” e desviou o olhar.
        Ela recomeçou a afastar-se.
        “Mercês”
        Era mais uma vez ele que chamava, interrompendo de novo a sua marcha “O que foi?”
        Ele olhava para o mar, agora prateado, e depois olhou para ela, com aqueles olhos, tristes, tristes, olhar de seda e veludo, janelas abertas de par em par “Prazer em te conhecer”

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