quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

(Não) Era uma vez...


        Isto é a história de uma história, e como todas as histórias que se possam chamar histórias, deveria começar com “Era uma vez…”.
        Mas não! Esta não é só (mais) uma história. Esta é uma história do contra! Verdade! Não acreditam?… Pois então, leiam…

        Há não muito tempo, ou melhor, há muito pouco tempo, havia uma rapariga, de nome Celeste. Acreditem-me quando vos digo que essa menina não era nenhuma flor que se cheirasse, muito antes pelo contrário! Só para terem uma ideia, sempre vou dizendo que a Celeste era má como as cobras (não que eu tenha alguma coisa contra as ditas…).
        Apesar de toda esta ruindade, a Celeste tinha uma amiga, a Aurora, que pasme-se, era boa, boa, boa…. (boazinha, está bem?… Nada de maus pensamentos…), doce como o mel (que é doce, ninguém dúvida, mas tããããão peganhento).
        Eram amigas, sim senhor, mas era uma amizade no mínimo curiosa: se a Aurora dizia branco, a Celeste dizia preto, se a Aurora dizia dia, a Celeste dizia noite, e por aí em diante.
        Nesta história entra também um rapaz (como não podia deixar de ser…), a fazer as vezes de príncipe (se encantado ou não, não faço a mínima ideia): o Manuel, ou para ser mais fácil, o Manel.
        Ora, a Celeste estava pelo beicinho pelo Manel e ela bem que tentava arrastar a asa para o lado dele, mas ele, está quieto ó meu! É que, estão a ver, o Manel andava perdido de amores pela Aurora. E a Aurora?, perguntam vocês. Bom, a Aurora… Vamos lá a ser sinceros: a Aurora não queria saber do Manel para nada. Para ela, tanto fazia se o Manel estivesse vivo ou morto – era igual ao litro.
        Imaginem só o desgosto do rapazinho! Estão a ver a fita?… Dum lado a Celeste doidinha pelo Manel, no meio o Manel só com olhos para a Aurora, e do outro lado a Aurora para quem o Manel não passava de um insecto – e daqueles mesmo chatos, que dão vontade de esborrachar, devo acrescentar.
        Bom, e vocês tem que concordar comigo, aquilo era uma situação muito pouco agradável, insustentável mesmo.
        Vai daí, a Celeste decidiu pôr cobro àquela situação: um deles estava a mais – três é uma multidão, não é assim?…
        Num belo dia (pois estas coisas acontecem sempre nos dias bonitos), a Celeste convidou a Aurora e o Manel para um passeio a pé.
        Os dois aceitaram de bom grado e, felizes e contentes, lá foram os três.
        “Aonde vamos?” quis saber o Manel.
        “Por aí” foi a resposta da Celeste.
        Andaram, andaram, andaram, até que chegaram a uma ravina. Tanto a Celeste como a Aurora aproximaram-se logo da beirinha, para assim terem uma melhor vista – deslumbrante, diga-se de passagem.
        “Manel, anda ver” chamou a Celeste.
        “Não, obrigadinho” recusou o Manel.
        “Anda cá ver, que isto é bonito” insistiu a Celeste.
        “Ai, não vou, não” voltou a recusar o Manel.
        “Ó Manel…” suplicou a Celeste.
        “Não vou, não vou, não vou. Já disse que não vou, e pronto” e bateu com o pé no chão.
        “Porquê?” quis saber a Aurora.
        “Bem”  e o Manel foi ficando vermelho que nem um pimentão “É que…”
        “Sim?…” disseram a Aurora e a Celeste a uma só voz.
        “É que tenho medo das alturas” exclamou o Manel muito depressa.
        “Medo das alturas?!” repetiram a Aurora e a Celeste.
        “Schiu” o Manel mandou-as calar “É segredo”
        “Mas ó Manel” começou a Celeste “não tens que ter medo. Estás comigo e com a Aurora e nós ajudamo-te”
        “Sério?” e os olhos do Manel iluminaram-se.
        “Claro que estamos a falar a sério” confirmou a Aurora “Anda cá, dá-me um braço, e dá o outro à Celeste”
        “De certeza?” perguntou o Manel.
        “Absoluta” disse a Celeste “Vá lá, dá-me um braço”
        “Está bem…” lá se deixou o Manel convencer.
        Deu um braço a cada uma e chegou-se à beirinha.
        “Então, que tal?” perguntou a Celeste.
        “É ou não é lindo?” exclamou a Aurora, mais para si do que para os outros.
        “É… é maravilhoso!” gaguejou o Manel.
        “Gostas, não gostas?” quis saber a Celeste.
        “Oh! Sim” disse o Manel extasiado “muito”
        “Então, chega-te aqui mais para a beirinha” puxou-o a Celeste.
        “O quê?” assustou-se o Manel.
        “Não tenhas medo” sossegou-o Aurora “É que assim tens muito melhor vista”
        Muito a medo, o Manel deixou-se chegar mais à beirinha, mas olhem, antes não o tivesse feito. Então não querem ver que aquelas ……………. (este espaço é para lhes chamarem o que bem entenderem), mal o Manel chegou à beirinha, largaram o pobre do rapaz e, olha!, foi um ar que lhe deu: catrapum, lá em baixo.
        “Oh, Celeste” chamou a Aurora “O Manel caiu”
        “Pois foi” concordou a Celeste “Então não querem lá ver”
        “Também” desdenhou a Aurora “não se perdeu grande coisa”
        “Sabes uma coisa?” disse a Celeste “Tens toda a razão”
        E foram-se embora, felizes da vida.

        Acaba aqui esta história, e … o quê, o que é que foi, o que é que se passa?… Não acharam piada ao fim?… Ai, filhos (dos respectivos progenitores, bem entendido), tenham lá santa paciência, mas eu avisei-os logo no principio de que isto ia ser uma história do contra. E assim sendo, que outro fim poderia ter?…


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